Para falar sobre essa questão nesse mês que se comemora o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, data que faz referência à morte de Zumbi, o líder do Quilombo dos Palmares, a equipe do SINPRO ABC conversou com a Professora da Universidade Federal do ABC, Regimeire Maciel que é categórica ao afirmar “ somos uma sociedade racista que nega o racismo”.

Acompanhe agora nosso bate papo no Programa X da Questão da TV SinproABC, a TV do Professor.

Regimeire Maciel é professora e coordenadora executiva do Núcleo de Estudos Africanos e Afro-brasileiros (NEAB/UFABC). É graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), mestre e doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e tem atuado, principalmente, nos seguintes temas: relações raciais no Brasil, políticas públicas de ação afirmativa, gênero e feminismo negro.

licencaLicença sem remuneração


As Convenções e Acordos Coletivos garantem ao professor com mais de cinco anos de trabalho na escola a possibilidade de se licenciar, sem remuneração, independentemente da anuência do empregador.
Leia a norma coletiva com muita atenção, porque existem regras e prazos que devem ser observados. Se não for possível obedecer ao que dispõe a Convenção, a licença dependerá da anuência da escola.

 

 

 

 

Veja carta modelo:

 

 

Cidade, .............. de .................... de 20....

Ilustre Senhor,
Fulano
Diretor ........(nome da escola)

Nesta.

Prezado(a) Senhor(a),

Eu, .........................., Professor da(s) disciplina(s) ______________ do Curso _________, com carga horária total semanal de ________ horas aulas, tendo cumprido o disposto na cláusula ____ da Convenção Coletiva de Trabalho, venho solicitar Licença não Remunerada no período de ________________ até ___________. Esclareço, ainda que comprometo-me a comparecer na instituição no término da referida licença, sob pena de, não retornando ao término desta, ter meu Contrato de Trabalho rescindido por Pedido de Dispensa.

 

 

Atenciosamente

___________________

-----------------x-----------------

 

Recebi ____/____/______

_____________________
Diretor

 

 

A professora Keilla Vila Flor encanta os alunos com ensinamentos que vão além dos livros didáticos. O olhar crítico sobre o racismo e a crença de que é possível construir um mundo mais justo são lições tão importantes quanto as previstas no conteúdo programático

 

 

A professora conhecida entre os alunos pelas camisetas de super-heróis e pelos turbantes coloridos acorda cedo. O despertador do celular é programado para apitar todos os dias às 5h30. Quarenta e cinco minutos mais tarde, ela sai de casa, em Águas Claras, toma o ônibus entre 6h20 e 6h25 e, em 25 minutos, está na escola onde ensina história para crianças e adolescentes, em Taguatinga.

Aos 23 anos, Keilla Vila Flor vai e vem cotidianamente comprometida com uma educação que vai além do que está nos livros didáticos. O combate ao racismo e a elevação da autoestima dos alunos, especialmente os negros, são lições tão importantes quanto o conteúdo programático. Dona de um levíssimo sotaque que mistura a Bahia e o Distrito Federal, ela começou a dar aulas há cinco anos. Tempo suficiente para conquistar a admiração dos estudantes e intervir de forma prática na luta contra o preconceito.A historiadora lembra um episódio marcante, ocorrido este ano. Certa manhã, no primeiro horário de uma turma do 6º ano, uma garota negra se inspirou em uma colega branca e decidiu passar batom e colorir as pálpebras com uma leve sombra cor de rosa. Porém, mal pôs os pés na sala, ouviu risadas de alguns colegas, crianças entre 11 e 12 anos. A menina ficou visivelmente triste e tirou, com as mãos, a maquiagem que tinha feito com tanto cuidado, ali mesmo na escola.

Keilla interveio imediatamente. Após uma conversa sobre por que a atitude do grupo estava errada, os que riram foram orientados a ir até a frente da turma e pedir desculpas por magoar a colega. E, no dia seguinte, lá estava a professora, recebendo a turma com o cabelo arrumado e o rosto maquiado de forma semelhante aos da garota. Não houve mais episódios como esse na turma.

 

Trabalho cadenciado
Ela sabe que não mudará a realidade de um dia para o outro, mas não abre mão do papel de constante educadora. “É utópico achar que vamos ter uma conversa com os alunos sobre racialidade e eles nunca mais vão reproduzir o racismo. É um trabalho cadenciado, aos poucos”, diz, sentada no braço do sofá da sala dos professores.

No mesmo sofá, está Caio Henrique Carvalho, aluno de 14 anos do 8º ano do ensino fundamental. Neste ano, graças a Keilla, ele passou a gostar mais de história, embora sua matéria favorita continue sendo matemática, o que admite um pouco constrangido. A confissão, porém, não diminui em nada o olhar encantado da mestre enquanto o vê falar do que aprendeu nos debates sobre o tema racial ao longo do ano.

Caio é um adolescente negro que demonstra tristeza ao contar que presenciou racismo entre os colegas. “Às vezes, as pessoas falam no calor do momento, sem consciência de que estão falando algo preconceituoso. Mas, a partir do momento em que uma pessoa não gosta de uma brincadeira, já não é mais brincadeira, é preconceito ou bullying”, ensina o menino.

A jovem professora, então, conta que a violência sofrida por crianças negras atualmente não é muito diferente da que ela viveu quando pequena. Filha de pai negro e mãe branca de olhos claros, Keilla cresceu ouvindo que seria mais bonita se fosse parecida com a mãe. No entanto, nasceu com a pele escura como a do pai, um homem alto e retinto, o que a fez passar por muitas situações de preconceito.
Olhar de desprezo
Um episódio da infância, vivido em Alagoinhas, cidade do interior da Bahia onde nasceu, segue presente na memória. Era feriado do Dia das Crianças. Ao lado de duas amigas, Keilla brincava com bonecas, vestida com o uniforme da pré-escola e com o cabelo dividido em duas tranças. Uma das coleguinhas era branca e a outra, negra. Foi então que uma mulher passou por elas, abaixou-se e tocou a cabeça da criança branca enquanto elogiava o cabelo.

“Depois, ela se voltou para mim e para minha outra amiga e nos olhou com desprezo. Tínhamos só 5 anos, mas, na mesma hora, percebi que aquela minha amiga tinha uma coisa que nós não tínhamos: a pele clara. Não sei como explicar, mas eu sabia que aquilo estava acontecendo por uma diferença racial”, conta.

É para construir um futuro em que cenas assim não ocorram mais que a professora trabalha. Além do colégio particular onde leciona, Keilla percorre escolas públicas e privadas do Distrito Federal, desde 2016, com uma palestra sobre a trajetória do povo negro no Brasil. Ela tem ainda uma intensa atuação na internet, sendo colunista da página Ativismo Negro, existente no Facebook e no Instagram.

Mesmo com a existência de leis que incentivam o ensino da história e da cultura afro-brasileira, ela lamenta que o conteúdo ainda seja muito pouco explorado nas salas de aulas. Abolida há 130 anos, diz, a escravidão — que trouxe ao Brasil de maneira forçada mais de 5 milhões de negros, tornando o país o principal centro do tráfico de pessoas das Américas — ainda deixa marcas na sociedade brasileira.

Por isso, Keilla gosta de enxergar, em cada um de seus alunos, uma nova oportunidade de construir uma escola e um país mais acolhedor. “Em todo primeiro dia de aula, eu digo para os alunos que estou falando com seres carregados de historicidade, que eles são importantes e têm o poder de mudar o mundo e a história.”

 

01/11/2019 Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia – DF. Cidades. Especial Conciencia Negra. Na foto Keilla Vila, professora de Historia.

 

via https://www.geledes.org.br/

 

 

MOCAO PE APOI2O


O SinproABC – Sindicato dos Professores e Professoras de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul manifesta sua solidariedade e apoio a greve deflagrada pelos servidores do nível básico e médio que atendem à população no município.

Nesta terça-feira, dia 12, a categoria entra no seu oitavo (8º) dia de paralisação e reivindica perdas salariais de mais de 39,27% e desde 2013 a categoria não têm reajustes salariais.

Segundo o Sindsep - Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo, entidade que representa a categoria, a proposta da prefeitura deixa mais de 70% dos servidores sem valorização profissional, além de deixar aposentados de fora do abono de emergência. A categoria recusou proposta apresentada pela Secretaria Municipal de Gestão e apresentou contraproposta, ignorada pela prefeitura.

Todo apoio aos trabalhadores em greve e ao Sindsep !

Santo André, 12 de novembro de 2019

O Sistema Único de Saúde (SUS) é o maior e o mais democrático programa de distribuição de renda do país.

A frase não é minha, mas traduz o que penso. Foi dita por Gonçalo Vecina, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, um dos sanitaristas mais respeitados entre nós, numa mesa-redonda sobre os rumos do SUS, na Fundação Fernando Henrique Cardoso.

Estou totalmente de acordo com ela, pela simples razão de que pratiquei medicina por 20 anos, antes da existência do SUS. 

Talvez você não saiba que, naquela época, apenas os brasileiros com carteira assinada tinham direito à assistência médica pelo antigo INPS. Os demais pagavam pelo atendimento, ou faziam fila na porta de meia dúzia de hospitais públicos espalhados pelo país, ou dependiam da caridade alheia concentrada nas Santas Casas de Misericórdia e em algumas instituições religiosas.

Eram enquadrados na indigência social os trabalhadores informais, os do campo, os desempregados e as mulheres sem maridos com direito ao INPS. As crianças não tinham acesso a pediatras e recebiam uma ou outra vacina em campanhas bissextas organizadas nos centros urbanos, de preferência em períodos eleitorais.

Então, 30 anos atrás, um grupo de visionários ligados à esquerda do espectro político defendeu a ideia de que seria possível criar um sistema que oferecesse saúde gratuita a todos os brasileiros. Parecia divagação de sonhadores.

Ao saber que se movimentavam nos corredores do Parlamento, para convencer deputados e senadores da viabilidade do projeto, achei que levaríamos décadas até dispor de recursos financeiros para a implantação de políticas públicas com tal alcance.

Menosprezei a determinação, o compromisso com a justiça social e a capacidade de convencimento desses precursores. Em 1988, escrevemos na Constituição: “Saúde é direito do cidadão e dever do Estado…”.

Por incrível que pareça, poucos brasileiros sabem que o Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes, que ousou levar assistência médica gratuita a toda a população.

Ao SUS faltam recursos e gestão competente para investi-los de forma que não sejam desperdiçados, desviados pela corrupção ou para atender a interesses paroquiais e, sobretudo, continuidade administrativa.

Falamos com admiração dos sistemas de saúde da Suécia, Noruega, Alemanha, Inglaterra, sem lembrar que são países pequenos, organizados, ricos, com tradição de serviços de saúde pública instalados desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Sem menosprezá-los, garantir assistência médica a todos em lugares com essas características, é brincadeira de criança perto do desafio de fazê-lo num país continental, com 210 milhões de habitantes, baixo nível educacional, pobreza, miséria e desigualdades regionais e sociais das dimensões das nossas.

Para a maioria dos brasileiros, infelizmente, a imagem do SUS é a do pronto-socorro com macas no corredor, gente sentada no chão e fila de doentes na porta. Tamanha carga de impostos para isso, reclamam todos.

Esquecem que o SUS oferece gratuitamente o maior programa de vacinações e de transplantes de órgãos do mundo. Nosso programa de distribuição de medicamentos contra a aids revolucionou o tratamento da doença nos cinco continentes. Não percebem que o resgate chamado para socorrer o acidentado é do SUS, nem que a qualidade das transfusões de sangue nos hospitais de luxo é assegurada por ele.

Nossa Estratégia Saúde da Família, com agentes comunitários em equipes multiprofissionais que já atendem de casa em casa 2/3 dos habitantes, é citado pelos técnicos da Organização Mundial da Saúde como um dos importantes do mundo.

Pouquíssimos têm consciência de que o SUS é disparado o maior e o mais democrático programa de distribuição de renda do país. Perto dele, o Bolsa Família não passa de pequena ajuda. Enquanto investimos no SUS cerca de R$ 270 bilhões anuais, o orçamento do Bolsa Família mal chega a 10% desse valor.

Os desafios são imensos. Ainda nem nos livramos das epidemias de doenças infecciosas e parasitárias, já enfrentamos os agravos que ameaçam a sobrevivência dos serviços de saúde pública dos países mais ricos: envelhecimento populacional, obesidade, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer, degenerações neurológicas.

Ao SUS faltam recursos e gestão competente para investi-los de forma que não sejam desperdiçados, desviados pela corrupção ou para atender a interesses paroquiais e, sobretudo, continuidade administrativa. Nos últimos dez anos, tivemos 13 ministros da Saúde.

Apesar das dificuldades, estamos numa situação incomparável à de 30 anos atrás. Devemos defender o SUS e nos orgulhar da existência dele.

 

via www.geledes.org.br/ Uol

 

Reforma trabalhista de Temer completa dois anos e confirma enorme fracasso


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Aprovada em 11 de novembro de 2017, por meio da Lei 13.467, a reforma trabalhista de Michel Temer completa dois anos nesta hoje. A principal alegação pra sua aprovação era a geração de cinco milhões de empregos. O que não aconteceu. Ou seja, não se abriram novas vagas de emprego, mas o caminho pra precarização das condições de trabalho foi pavimentado.• Fracasso

“A reforma de Temer prometia gerar cinco milhões de empregos. Isso não aconteceu. Ao contrário. Os poucos empregos gerados são precários, informais, com salários muito reduzidos. Nesse sentido, a reforma é um retumbante fracasso”.

• Previdência

“O aumento da informalidade no mercado de trabalho atingiu também a receita da Previdência Social. Afinal, o trabalhador sem contrato não contribui. E os que ganham menos também recolhem valores menores. Portanto, o Estado também foi prejudicado.”

• Sindicalismo

“Ao acabar com a contribuição sindical, sem qualquer regra de transição, a reforma feriu de morte as finanças das entidades. Isso levou à venda de prédios, demissões de funcionários, cortes de serviços e redução da capacidade do movimento de reagir e enfrentar os graves problemas dos trabalhadores”.

• Porta de entrada

“Com a reforma, que precarizou o trabalho, agravou as relações de trabalho e reduziu o poder de ação do sindicalismo, o atual governo aprofundou os ataques. Daí, medidas como a MP 881, da liberdade econômica, e a 873, que inviabiliza recolhimentos das categorias, e várias outras, cuja lógica é desregulamentar o trabalho e facilitar a vida do capital”.

• Dificuldades para a ação sindical

“Além de cortar o custeio sindical, a Lei 13.467 criou dificuldades de acesso à Justiça do Trabalho. A homologação no Sindicato deixou de ser obrigatória, impossibilitando a conferência da quitação das verbas trabalhistas, com prejuízos evidentes para o trabalhador”.

• Congresso Nacional

“O Congresso foi passivo durante a tramitação da matéria e não reagiu à altura. Naquela fase, a preocupação dos parlamentares era garantir o aumento do fundo partidário. De modo que uma votação condicionou a outra”.

Mais - Acesse o site do Diap http://www.diap.org.br/imagesdesemprego

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