ASSEMBLEIA CAMPANHA SALARIAL

Assembleias serão realizadas na sede social, Rua Pirituba, 61 – Bairro Casa Branca – Santo André – SP, no dia 23 de novembro de 2019, para discussão e deliberação da seguinte ordem do dia:


1. EDUCAÇÃO BÁSICA - 8h30 análise da pauta de reivindicações para a data-base de 01/03/2020, a serem levadas ao SIEEESP;
2. ENSINO SUPERIOR - 9h30 análise da pauta de reivindicações para a data-base de 01/03/2020, a serem levadas ao SEMESP;
3. SISTEMA S - 10h30 análise da pauta de reivindicações para a data-base de 01/03/2020, a serem levadas ao SESI, SENAI;
4. autorização para o início das negociações com as Entidades Patronais acima mencionadas em face das pautas aprovadas.

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Sindicato dos Professores do ABC
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11 4994-0700

Militares em sala de aula
Manifesto de educadores rejeita projeto de escolas cívico-militares; anúncio indica Campinas como um dos polos de implementação

 

 

Nesta quinta-feira, 21/11, o ministro que não entende de Educação, Abraham Weintraub, divulgou nota indicando uma lista de 54 municípios contemplados para compor o projeto-piloto do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares, do Ministério da Educação em 2020. Veja aqui a noticia completa.

No Estado de São Paulo, a cidade de Campinas foi a selecionada para integrar o programa – e já houve reação dos educadores sobre o anúncio.

Diretora do Sinpro Campinas, Maria Clotilde Lemos Petta divulga manifesto, produzido nesta sexta, 22/11, pelo Movimento Unificado de Educadores de Campinas, já endossado pela Contee – a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino no Brasil.

Os educadores de Campinas afirmam que “a retirada de profissionais de educação – dos quais é exigida formação específica e pedagógica – substituindo-os por bombeiros ou militares, aprofunda o processo de desvalorização e desprofissionalização dos professores”.

A Fepesp apoia o manifesto a convida todos à discussão do texto.

 

Manifesto em repúdio à instalação
de escola cívico-militar em Campinas.
Nós, que temos na educação um espaço de vivência, construção democrática e acesso ao conhecimento, manifestamos nosso profundo repúdio ao Programa Escolas Cívico-Militares, que fere a Constituição Brasileira de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e o Plano Nacional da Educação.

Consideramos que:

A decisão do Prefeito Jonas Donizete de colocar a cidade entre os interessados em receber o Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares, sem qualquer consulta às instâncias educativas do Município, aos professionais da educação da rede municipal, ao Conselho Municipal de Educaçao e demais instituições de ensino de Campinas, é uma decisão autoritária.

A “opção” por uma escola pública militarizada não é uma questão de responsabilidade dos pais /mães exclusivamente, ou de “foro íntimo”. Mas sim se trata de um debate de todos os professores, estudantes, pais /mães e da comunidade do entorno da escola, que começa questionando “que sujeitos de direitos, que cidadãos nosso país necessita e que educação queremos para todos e todas as /os brasileiros (as).

A substituição de educadores por militares, parte da ideia de que a escola fracassou, que não consegue “impor respeito, controle, disciplina” e que para o atual governo o medo fará a juventude mais disciplinada, servil, submissa. Ao exigir que os alunos através da coerção cumpram regras rígidas da cartilha militar, torna extremamente difíceis as manifestações de individualidades e a defesa dos direitos dos estudantes, o que fere o principio constitucional da educação como propiciadora do “desenvolvimento pleno, o preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho”.

A retirada de profissionais de educação – dos quais é exigida formação específica e pedagógica – substituindo-os por bombeiros ou militares, aprofunda o processo de desvalorização e desprofissionalização dos professores, desqualificando a escola publica como espaço de direitos, provocando em decorrência o avanço da privatização da educação.

O Programa Nacional de Escolas Cívico-militares, instituído pelo Governo Bolsonaro, constitui-se como uma tática eleitoreira ,tipicamente fascista, e de manipulação do medo ,objetiva impedir o pensamento critico dos jovens pobres e adestrá-los como mão-de-obra .Ao escolher populações vulneráveis, em bairros populares, repete experiências semelhantes já realizadas nos EUA onde estudos mostram que tais escolas acabam sendo uma passagem para as prisões , a rota da exclusão, ou rota escola-prisão, excluindo os jovens trabalhadores do acesso à cultura e à socialização do conhecimento.

A escola pública, necessária nos tempos atuais, além de possibilitar o acesso aos conhecimentos historicamente construídos, deve se constituir em espaço de atividade criativa e de manifestações de individualidade, de liberdade de expressão e da liberdade de ensinar. A escola tem uma função social específica na sociedade sendo que a escola pública, gerida pelo Estado, é laica para todos e deve operar, de modo concomitante e não concorrencial, com outras instituições importantes, como família, mundo privado, religião e segurança.

Conclamamos os moradores de Campinas a se unirem num movimento amplo em defesa da escola pública, democrática, gratuita, de qualidade, laica, de gestão publica solicitando ao prefeito Jonas Donizete a retirada da adesão ao Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares.

Em sua decisão, o juiz federal afirmou que entidades de ensino superior não devem atuar como se fossem “um botequim da periferia”. A multa é de R$ 1 milhão

 

 

A Justiça Federal de São Paulo condenou a Anhanguera Educacional, do grupo Kroton Educacional, a pagar R$ 1 milhão em indenização por danos morais coletivos causados por propaganda enganosa. A decisão foi tomada em uma ação civil pública proposta pelo MPF (Ministério Público Federal) em 2009.

A Procuradoria acusa a Anhanguera de induzir deliberadamente os consumidores ao erro por veicular informações que associavam o nome da instituição a serviços de educação superior que eram, na verdade, mantidos por outras entidades de ensino.

Segundo o MPF, a Anhanguera listava em seu site 15 unidades que estavam registradas no cadastro de instituições do sistema federal de educação superior, do MEC (Ministério da Educação), em nome de outras mantenedoras. No decorrer do processo, a Anhanguera alegou ter incorporado estas outras instituições comercialmente, tendo comunicado o fato ao MEC.

O MPF, por outro lado, argumentou que a oferta pela Anhanguera de cursos cuja autorização de funcionamento foi concedida a outras entidades consiste em “nítida violação às normas federais que regem a educação superior no país, além de atentar contra os direitos do consumidor-aluno”.

A Justiça Federal concordou com a visão do MPF e apontou que a comunicação da compra de outra entidade de ensino ao MEC não é suficiente para regulamentar a oferta dos cursos, além de estar limitada a aspectos comerciais, e não a interesses da educação.
Em sua decisão, o juiz federal Victorio Giuzio Neto, da 24ª Vara Federal de São Paulo, afirmou que entidades de ensino superior não devem atuar como se fossem “um botequim da periferia”.

Via Fepesp 18/11/2019

Juarez Tadeu de Paula Xavier foi atacado no estacionamento de um supermercado em Bauru, no interior de São Paulo. 'Imaginávamos que tínhamos avançado, mas parece que não', disse o professor da Unesp

 

 

SÃO PAULO - "É muito cansativo atravessar sua humanidade tendo que provar que é humano. Consumir parte da vida tendo que provar que é gente, digno de respeito", disse ao Estado o professor de Jornalismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Juarez Tadeu de Paula Xavier. Negro, ele foi xingado de "macaco" e esfaqueado na quarta-feira, 20, no estacionamento de um supermercado em Bauru, interior de São Paulo. Os ferimentos foram superficiais e o docente teve alta. A agressão foi no Dia da Consciência Negra.

 

 

Xavier, de 60 anos, voltava de uma consulta médica quando foi atacado por Vitor Munhoz, de 30 anos, com um canivete. "Ele parou e me chamou de 'macaco'. Fui tirar satisfação." Os dois, então, iniciaram luta corporal. "Quando ele tentou me acertar, consegui me esquivar. Até que pessoas ao redor me ajudaram a contê-lo. Só percebi que tinha sido esfaqueado quando começou a sangrar muito."

Um empresário e o segurança do supermercado intervieram e seguraram o agressor. O empresário Felipe Azevedo disse à polícia que Munhoz continuava chamando a vítima de "macaco", enquanto o agredia. Ele ajudou a conter o agressor e se tornou testemunha do caso.

O professor foi atingido no ombro esquerdo, no braço e nas costas, onde teve de fazer uma sutura. A alta foi no mesmo dia do ataque e ele relata estar bem e medicado. Xavier afirma ainda desconhecer Munhoz.

Até a tarde desta quinta, a família do agressor não havia contratado um advogado. Um parente, que não quis se identificar, disse à reportagem que ele sofre de transtornos mentais e está em tratamento contra esquizofrenia.

Como a família alegou tratamento psiquiátrico, o delegado fixou fiança de R$ 1 mil para que ele pudesse responder em liberdade por injúria e lesão corporal dolosa. A defesa de Xavier quer que ele responda por tentativa de homicídio.

Docente já foi vítima de racismo em 2015 na Unesp
"Eu tenho dito: não é possível que um negro no Brasil nunca tenha passado por situação de racismo. Imaginávamos que tínhamos avançado, mas parece que não. Isso só mostra a necessidade de continuar discutindo Direitos Humanos", afirmou.

 

Pesquisador do Núcleo Negro Unesp para Pesquisa e Extensão (Nupe), Xavier estuda o movimento negro há anos e não foi a primeira vez que foi vítima do racismo. Em 2015, pichações em um banheiro da Unesp traziam xingamento de "macaco" contra ele. Uma comissão foi formada para investigar a autoria dos ataques, mas a apuração foi encerrada sem conseguir identificar os autores.

De origem simples, Xavier nasceu na Vila Mazzei, zona norte paulistana. Seu pai era caminhoneiro e ficou preso por delito comum até 1970, quando foi assassinado. Sua mãe veio de Minas para São Paulo para trabalhar em uma indústria têxtil e, depois, como empregada doméstica. Por causa da violência na região em que morava, Juarez passou a adolescência em uma casa de candomblé na zona leste da capital. Ficou sem ir para escola dos 10 aos 17 anos.

Mais tarde, já depois dos 30 anos, conseguiu concluir a graduação em Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. O mestrado e o doutorado foram na Universidade de São Paulo (USP), principal instituição de ensino superior do País.

Raiva e indignação, de acordo com o docente, foram os primeiros sentimentos que o tomaram no momento da nova agressão. "Estamos na luta política por igualdade há muitos anos. Não dá para dizer que não fica abalado. Tenho filhos, esposa, projetos, sonhos. Sempre abala", afirmou.

Apesar disso, ele ressalta as mensagens de apoio e a ajuda de amigos e parentes e diz ter esperança no futuro. Para Xavier, "é necessário que a gente mantenha nossa utopia, ela nos ajuda a caminhar em frente."

Em nota, a Unesp disse que atos do tipo reforçam a necessidade de continuar a "luta contra a discriminação racial, os preconceitos, de qualquer natureza, e especialmente contra a desigualdade abissal que marca historicamente a população negra no Brasil". A Associação de Docentes da Unesp afirmou que o crime não pode ser "banalizado e esquecido".

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