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 Via FEPESP

Desde que foi decretada a suspensão de aulas, para que professores integrassem o bom combate à expansão do coronavírus, advertimos que mexer nas férias coletivas de julho era má ideia. Ruim para estudantes, péssimo para professores e uma bagunça no planejamento letivo das escolas.

Mas, em muitos casos, tem prevalecido a cabeça de planilha nas escolas e o descaso do governo com sua MP 927 – que deu um refresco para as empresas (escolas inclusive) à custa de permitir estragar suas férias, atrasar o pagamento do seu FGTS, colocar em risco seu emprego>

(E você pode pressionar seu deputado a rejeitar a MP 927, veja aqui: https://bit.ly/2WUhvqF)

Agora, aviso muito importante:
no período de férias não é permitido o trabalho.
A lei proíbe.

A MP 927 rasga alguns artigos da CLT, mas não todos. Em período de férias, o contrato de trabalho está suspenso!

Não é permitido por lei decretar férias e convocar as professoras e os professores para trabalharem durante esse período: adaptar cursos, preparar material online, gravar aulas, enquanto se está em casa. Em férias.

home office professorAo contrário do que se imagina trabalhar dentro do lar, pode não ser tão doce quanto parece, na verdade, para muita gente está sendo um grande desafio. Sim, há o cachorro que late, o filho que te solicita, a torneira que vaza, o interfone que toca, o chefe que liga na mesma hora cobrando um trabalho e o aluno que quer tirar “aquela” dúvida. Esse é o cenário mais realista imposto pelo teletrabalho ou trabalho remoto. O fenômeno em alta no mundo se impôs como a realidade provocada pela Covid-19.

A crise afetou o mundo das relações sociais e no mundo do trabalho foi afetado drasticamente, impactando a vida de todos os trabalhadores e principalmente a vida de professores e professoras.

Os profissionais da Educação relatam que na preparação das aulas e durante as aulas costumam ter que lidar com angústias de pais e dos alunos. São questionamentos e aflições que vão além da própria disciplina que já sobrecarregam os professores e professoras.

Mesmo as análises sobre o fenômeno do teletrabalho ou o trabalho remoto amplamente difundido não conseguem aplacar as angústias vividas no cotidiano. Há ainda as dificuldades de focar na tarefa, ocasionada pelas mais variadas interrupções, que apontamos no início do texto.

Professores relatam também uma sensação de nunca sair do trabalho podendo desencadear a Síndrome de Burnout que envolve nervosismo, sofrimentos psicológicos e problemas físicos e em mais estresse.

Os profissionais descrevem ainda a sensação de estarem desconectados, mesmo que ferramentas para videoconferências estejam disponíveis, há uma “desconexão” diferente do “trabalho em grupo”. Com isso a sensação de solidão aumenta o que pode levar a questões relacionadas à saúde mental, aponta o professor Marino Bedin, psicólogo formado pela UMESP- Universidade Metodista de São Paulo e professor do curso Objetivo ABC há mais de 30 anos.

Bedin ressalta que há relatos de vários professores sobre o excesso de trabalho e que além do conteúdo, estão tendo que repensar, práticas, recursos, ferramentas. Ele aconselha que o trabalho não deve ultrapassar horas de atividade em casa, “além daquelas que normalmente já desempenhávamos”. Se pensarmos primeiro em nós mesmos nesse momento, podemos cuidar dos nossos, pondera.


Pensando nesse dia-a-dia o SinproABC elaborou a reportagem e um guia para o dia-a-dia que pode ajudar o professor nesse período de quarentena.

 

Crie um local de trabalho
Estabeleça um cômodo da casa como o seu escritório e coloque lá tudo o que você precisa para trabalhar com conforto.

Experimente trocar de roupa depois de acordar
Não precisa colocar roupa social, mas só tirar o pijama já ajuda a virar a chavinha. Terminou o expediente? Troque de roupa outra vez.

Estabeleça uma jornada de trabalho razoável
Estabeleça uma carga horária de trabalho e cumpra-a à risca.

Evite distrações
Estabeleça limites para as pessoas próximas e tente não resolver problemas pessoais em horário de trabalho. Deixe claro para todos que você não está de férias ou pode fazer favores no horário de expediente.

Comunique-se
Estabeleça interações com quem quer que seja que você trabalhe. Seu chefe, colegas, clientes ou fornecedores.

Tenha uma lista de tarefas
Tenha uma lista equilibrada de tarefas a ser realizadas durante o dia e obrigue-se a cumpri-la.

Faça pausas
Essas pausas são fundamentais para espairecer as ideias e seguir para a próxima tarefa. Para não exagerar, você pode cronometrar.

Mantenha seu local de trabalho organizado
Lembre-se que o principal beneficiado por um ambiente de trabalho limpo e bem organizado é você, mais ninguém.

Saia do trabalho no fim do dia
Sua jornada de trabalho chegou ao fim? Ótimo. Levante-se e vá embora do escritório, mesmo que ele fique na sua casa.

man stressed while working laptop 53876 40949Há uma semana os professores e professoras viram suas vidas mudarem drasticamente quando o Governo do Estado de São Paulo determinou, por meio de decreto, a suspensão das aulas, resultado do impacto gerado pela pandemia da Covid-19.

Desde o dia 23 de março os educadores tiveram que enfrentar uma nova rotina que inclui a produção de conteúdo para as plataformas, passaram a ensinar seus alunos através de vídeo aula e assim, obrigados a desenvolverem novas formas de educar, tiveram suas rotinas completamente alteradas.

O teletrabalho, trabalho remoto ou o home office invadiu a vida dos profissionais, mas esta realidade tem paulatinamente adentrado a vida do trabalhador. O fenômeno em alta no mundo todo, passou a vigorar no país, através da Lei nº 13.467 de 13 de julho de 2017, quando foi alterada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e estabeleceu a nova disciplina para milhares de trabalhadores.

Nós do Sinpro-ABC -Sindicato dos Professores do ABC, avaliamos a Educação a distância - EAD como complemento de um processo de ensino-aprendizagem e consideramos que é preciso atenção nesse momento, onde os professores e professoras foram obrigados a se inserirem num contexto inusitado para o qual não haviam sido preparados.

Assim, precisamos atentar para algumas questões importantes para preservar nossos direitos:

  1. Observar a quantidade de horas trabalhadas. É preciso que cada professor(a) ministre aulas, produza vídeos ou atividades de acordo com a quantidade de horas/ aulas que possui na escola;
  2. Todo trabalho que exceder a quantidade de horas/ aulas devem ser pagas como horas -extras;
  3. É necessário atentar também para as questões relativas ao direito autoral, que garanta a propriedade intelectual do trabalho produzido, seja em vídeos, slides, ou no ministrar aulas online.
  4. Do mesmo modo, é necessário observar se o uso de imagem será realizado apenas para as turmas em que os docentes lecionem.
  5. Caso a escola opte pela modalidade de ensino a distância ficará garantido a quantidade de horas do ano letivo, ou seja, não haverá reposição de aulas.

   Estas questões são fundamentais para preservar nossos direitos, nossa imagem e regulamentar, ainda que parcialmente, o trabalho tecnológico, que ocupará nossa rotina docente no próximo período; além de garantir a propriedade intelectual do trabalho. A EAD na educação básica pode ser um meio de minimizar os problemas que enfrentamos nesse momento, porém não pode substituir nem a escola nem os professores. 

E atenção: Todo trabalho desenvolvido é para uso durante a quarentena. Uma vez retomadas as aulas presenciais vídeos, aulas e afins não podem mais circular pela internet pelas escolas.  

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Atila Iamarino - O biólogo de 36 anos é formado pela Universidade de São Paulo e fez doutorado e pós-doutorado na mesma universidade, com enfoque em microbiologia. Ele também fez pesquisas na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e já estudou vírus como ebola, Zika e HIV.

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A participação de Átila Iamarino no ‘Roda Viva’ desta segunda-feira (29) trouxe um choque de realidade para muitas pessoas que ainda teimam em enxergar a pandemia do novo coronavírus como uma ameaça menor. De maneira bastante simples, o biólogo que bombou nas redes sociais em vídeos vistos por milhões de pessoas em questão de dias, deu o recado: “Para o mundo que a gente vivia não podemos mais voltar”.
Se você assistiu, com certeza teve dificuldades de dormir na noite que passou. Está tudo bem, sinal de que a fala do doutor em microbiologia de 35 anos te fez refletir. O conceito defendido pelo virologista se baseia em mudanças de postura que já podem ser percebidas, como a grande quantidade de pessoas trabalhando em casa ou a ajuda social de governos super capitalistas como dos Estados Unidos, que irá auxiliar para pessoas que vão perder seus empregos.

“A gente está descobrindo o que são os serviços essenciais, e estamos voltando a entender o valor de ciência, da mídia (profissional) e dos serviços de saúde. E de sistemas que são fundamentais desde sempre, mas que, em períodos de bonança, são fáceis de negligenciar. O sistema de saúde de vários países vai ter que ser reavaliado. Garanto para você que o sistema de saúde norte-americano vai ter um estresse maior que o do resto do mundo, inclusive pelo modelo (sem saúde pública universal) de tratamento que eles seguem”, disse Átila à BBC Brasil.
Questionado pela jornalista Vera Magalhães no ‘Roda Viva’ se as mudanças seriam imediatas, Átila ressaltou que tudo deve se apresentar de forma gradativa. E atenção, não são apenas notícias ruins.

“As pessoas vão mudar, hoje têm pais e mães convivendo mais com os filhos em casa, coisa que há 70 anos não se faz no país. Eu renovei o contato com todo mundo porque agora quero saber se meus pais estão bem, se meus sogros estão bem”, assinala.
A utopia de interromper o isolamento
O debate no Brasil está emperrado na defesa e ataque do distanciamento social. A discussão se dá sobretudo pela postura do presidente da República, que classificou a Covid-19 como uma ‘gripezinha’ e ameaçou reabrir escolas.

Átila, que por diversas vezes no ‘Roda Viva’ defendeu a imprensa e o trabalho da ciência, é bem direto em dizer que pensar em deixar o isolamento social agora é “tentar voltar a uma realidade que não existe mais”.

“Eu não acho que cabe nem discutir [isolamento vertical], porque ela não é uma proposta científica. Quando ela for, a gente pode ver quais são as condições”, enfatiza.

O Doutor em microbiologia pela Universidade de São Paulo (USP) faz uma análise entendível. Átila pontua que manter as pessoas dentro de casa é uma medida para evitar que o isolamento se perpetue por ainda mais tempo.

“Manter as medidas que a gente tem agora é o que vai fazer dar tempo para buscarmos outras medidas lá na frente. Na verdade, parar agora é ganhar o tempo para fazer escolhas”, explicou à BBC Brasil.
Os números parecem dar respaldo ao biólogo. O Governo do Estado de São Paulo divulgou que as medidas restritivas em vigor há pouco mais de uma semana retardaram o pico da doença. A defesa é de um estudo feito pelo Instituto Butantan, em parceria com o Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo e a UnB (Universidade de Brasília).

Antes da quarentena, a velocidade de transmissão do novo coronavírus era de uma pessoa para seis – que forçaria a disponibilização de 20 mil leitos à rede pública da capital paulista. Em 25 de março, já com a vigência da quarentena, a taxa caiu de uma para duas pessoas.

Embora veja com bons olhos o que vem sendo feito em São Paulo, Átila Iamarino alerta para a urgência da realização de mais testes. Só assim, diz ele, será possível ter uma ideia concreta da quantidade de infectados. Enquanto isso não é uma realidade, ele defende que todo mundo fique em casa.

Ciência para salvar vidas sem ideologia
Ao longo do ‘Roda Viva’, Átila procurou apresentar uma análise descolada do fanatismo ideológico que atrasa a luta do Brasil contra a pandemia e pode custar vidas. Enquanto atores políticos se digladiam, o vírus se acomoda nas entranhas do país.

“A gente está em uma casa pegando fogo. Hoje não importa se o governo é de esquerda ou de direita. Nós precisamos evitar que vidas sejam perdidas”, deu o tom.

E acrescentou, “hoje nós só temos um país que não está fazendo nada, que é a Bielorrússia. Nós vamos ver se quem está certo é um único país no mundo ou o que os estados brasileiros estão fazendo. Só lavar as mãos com vodka não adianta. Tem que ser com água e sabão”.

 

Átila Iamarino fez questão de enfatizar o trabalho da imprensa e da ciência. Sobre o campo científico, ele criticou o desmonte que segue no governo Jair Bolsonaro.

“O Brasil está parado uma fase de não investir na ciência nacional. Isso não é uma coisa de agora. É uma coisa que vem de longa data. Nós temos pessoas que estão preparadas para fazer testes, mas que descobriram recentemente que tiveram suas bolsas científicas”.

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Diante da suspensão das aulas adotada como uma das medidas de controle do Coronavírus, o Sindicato dos Professores de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul - SINPRO-ABC considera tratar-se de uma medida necessária de saúde pública. Entretanto, manifesta restrições em relação à forma como a questão está sendo conduzida:

1. O SINPRO-ABC é contrário à adoção de medidas unilaterais, escola por escola, sobre a organização do trabalho dos professores durante o período de suspensão das aulas. Em nosso entendimento, são necessárias ações articuladas, negociadas em conjunto, para definição de procedimentos mínimos padronizados em todas as escolas particulares.

2. As professoras e os professores não podem estar sujeitos ao duplo trabalho. Diante da situação de excepcionalidade é preciso assegurar que as atividades mediadas por meios digitais ou outras formas de substituição temporária das aulas presenciais sejam consideradas como atividades letivas para cumprimento do calendário escolar, sem exceder a carga horária habitual de cada professor.

3. A Federação dos Professores do Estado de São Paulo – FEPESP e o SINPRO-ABC já resguardaram e preservaram a saúde das professoras e dos professores. Temos liminar que está em vigor que garante o afastamento das pessoas em grupos de risco, como as gestantes, docentes com mais de 60 anos e os portadores de comorbidades. Se a escola insistir no trabalho presencial, denuncie ao sindicato.

4. O presidente Jair, claramente insensível aos direitos e necessidades dos trabalhadores e adotando uma orientação irresponsável e negacionista das orientações da Organização Mundial de Saúde – OMS – para enfrentamento da crise do COVID-19, lamentável e oportunisticamente, aproveita para extinguir os direitos trabalhistas, eliminar os sindicatos, legítimos representantes dos trabalhadores, das negociações e, assim, colocando cada trabalhador para negociar individualmente com a empresa, como num diálogo entre a forca e o pescoço.

5. Por último, mas não menos importante, espera se que as entidades patronais de SP participem de um grande pacto de proteção da vida, de combate ao COVID-19 e de defesa de uma economia que esteja a serviço da vida e da democracia. O SINPRO-ABC, em conjunto com todas as centrais sindicais, reafirma sua posição: Pela devolução imediata da MP 927/928, pois medidas contidas na MP só atenderam o setor empresarial e se baseiam unicamente na redução das prerrogativas dos trabalhadores.

Santo André, 30 de março de 2020

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